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sábado, 6 de agosto de 2011

Karanba perde o título da Norway Cup no sub-20

O time do Kfum ergue o troféu de campeão da Norway Cup na categoria sub-20 - Marcelo Alves
Não deu para o time sub-20 do Karanba conquistar a “tríplice coroa” na Escandinávia. A equipe do Rio de Janeiro foi derrotada neste sábado pelo Kfum, da Noruega, por 1 a 0 e ficou com o vice-campeonato da Norway Cup. O gol da vitória foi marcado por Sondre Molsaeter, a sete minutos do fim da partida.
Apesar da derrota, o time brasileiro avaliou como positiva a campanha na Escandinávia. Foram dois títulos (Dana Cup, na Dinamarca, e Ghotia Cup, na Suécia) e um vice-campeonato em Oslo. Por isso, os garotos do Karanba comemoraram muito no palco em que receberam as medalhas de prata e o troféu de segundo colocado.
- Estou satisfeito e orgulhoso deles. Foram três finais em um mês. Eles estão de parabéns – disse Tommy Nielsen, idealizador do projeto do Karanba.
Para o técnico João Lomeu, o balanço da campanha do Karanba foi positivo.
- Foram 27 jogos na Escandinávia, dois títulos e um vice-campeonato. Aqui tomamos apenas um gol, que foi justamente o que nos tirou o título. Mas a campanha foi vitoriosa. Não é porque o time perdeu que foi ruim. Hoje apenas o jogo não encaixou – analisou.


Realmente o Karanba teve muita dificuldade para furar o bloqueio do Kfum, time amador da Noruega que frequentemente disputa as competições na Escandinávia e já tinha sido campeão da Norway nesta categoria em 2007. O gol saiu apenas numa jogada de cruzamento na área, que o goleiro Vinicius não conseguiu cortar e Molsaeter finalizou para o gol.
Os garotos do Karanba: felizes com o vice-campeonato - Marcelo Alves
A partir dai, o Karanba tinha seis minutos para empatar e tentar levar a partida para os pênaltis. João Lomeu colocou mais jogadores de frente, tentou fazer o time jogar mais pelos lados, mas o Kfum se fechou bem na defesa e soube segurar o resultado para delírio de sua torcida que lotava um lado das arquibancadas do campo 1 de Ekkeberg.
Para o técnico do time norueguês, Thor Erik Steinberg, foi uma grande vitória. Ele disse que há algum tempo o time vem batendo na trave no torneio e vencer o Karanba foi muito especial.
- O Karanba é um time muito difícil de ser batido e eles estavam invictos aqui na Escandinávia. Foi muito especial e importante para esses garotos. Eles jogam no nosso clube desde os cinco anos e nos últimos anos nós havíamos conquistado duas medalhas de prata e uma de bronze. Felizmente agora conseguimos a de ouro – concluiu.
* O repórter viajou a convite da Embaixada da Noruega
(Post originalmente publicado no blog Planeta que Rola)

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Norway Cup terá pela primeira vez final brasileira

Os jogadores do Alunorte Rainforest vibram com o primeiro gol marcado na semifinal - Marcelo Alves
O futebol brasileiro já tem mais um título garantido na Norway Cup e pode encerrar a competição com duas conquistas nas principais categorias do torneio disputado em Oslo, na Noruega. Nesta sexta-feira, o time sub-16 do Karanba venceu seus dois jogos e vai enfrentar na decisão a surpresa do torneio, o time do Alunorte Rainforest, do Pará. A final será neste sábado, no mesmo dia em que a equipe sub-20 do Karanba fará a decisão contra o Kfum-Kam, da Noruega.
Será a primeira vez na história que dois times brasileiros farão uma final do torneio. Campeão no ano passado, o time do Rio busca o bicampeonato enquanto a equipe paraense tentará o primeiro título. O time sub-20 do Karanba também tenta sua primeira conquista.
No melhor estilo do futebol profissional, a decisão já mexe com os dois times. Será um confronto cercado de rivalidade, pois no ano passado o Rainforest foi eliminado nas oitavas de final pelo Karanba num jogo marcado por um desentendimento dentro de campo e discussões fora de campo entre as duas equipes.
Mas os dois lados dizem que já esqueceram o entrevero. No time paraense, o único que esteve em Oslo no ano passado foi o técnico Alberto Müller, uma vez que o projeto social do time prevê sempre a formação de novas equipes para dar oportunidade a outros jovens de jogarem no time. No Karanba, o técnico Sérgio Antunes e alguns jogadores estiveram no jogo do ano passado.
- Isso (as discussões do ano passado) ficaram no passado. Inclusive a gente tem conversado com o pessoal do Karanba para evitar alimentar essa rivalidade – disse Müller.
Sérgio Antunes, porém, não acredita que a polêmica tenha acabado no lado rival:
- Da nossa parte, acabou, mas acho que da parte deles não. A gente passa por alguns integrantes do time deles e alguns nem dão bom dia, nem cumprimentam.
Rivalidade à parte, Müller disse que a decisão brasileira mostra que é possível aliar o esporte com o trabalho social.
A comemoração após a vaga garantida na final da competição - Marcelo Alves
- O mais importante é que é uma final entre dois projetos sociais. Isso demonstra que você pode trabalhar educação com esporte, que isso dá resultado e você ainda ajuda as pessoas – afirmou o treinador, que previu um jogo muito pegado.
Nesse ponto, o técnico do Karanba concordou com o treinador do Rainforest.
- Vai ser uma final difícil, muito disputada e um jogo muito pegado. Prevejo uma boa partida.
O Karanba chegou na final após uma tranquila vitória por 6 a 0 sobre o Sunndal 1 nas quartas de final e um jogo mais complicado contra o Lorenskog, em que ganhou por 3 a 1 na semifinal. Do outro lado, a caminhada do Rainforest foi marcada por muita emoção.
O time formado por menores carentes de Barcarena, no interior do Pará, vencia por apenas 1 a 0 numa partida disputada contra o Leiknir FC até a metade do segundo tempo. O jogo era pegado e debaixo de muita chuva. Do lado de fora, a torcida formada pelo time feminino já eliminado da competição e outros brasileiros que acompanham a equipe jogava junto com gritos de incentivo e canções. Os gritos irritaram até um jogador do time adversário, que foi irônico com os brasileiros tentando cumprimentá-los após fazer uma falta mais violenta e acabou expulso pelo juiz.
Quando Sílvio, um meia-atacante que é o capitão do time, achou um gol numa falha do goleiro adversário tudo ficou mais fácil para o Rainforest. A equipe brasileira cresceu e se impôs marcando mais dois gols (foram dois de Sílvio e dois de William).
O time sub-19 do Karanba vai em busca de um título inédito - Marcelo Alves
A semifinal já era o melhor resultado da história do time. Mas os paraenses queriam mais. O jogo contra o Diambars, do Senegal, mostrou que dentro de campo, o futebol é igual em todo lugar, não importa a categoria e o torneio. Partida muito disputada, catimbada, algumas entradas violentas e acusações de deslealdade por parte da equipe africana que até então, dizem os brasileiros, estavam torcendo para o Rainforest.
- Alguns jogadores deles entraram em campo com objetos pontiagudos e ficavam espetando os nossos jogadores. Avisei ao bandeirinha e ao juiz, pedi para que eles ficassem de olho, mas não fizeram nada – disse o técnico Müller.
Um gol de falta de Thiaguinho no primeiro tempo e um de pênalti do atacante Fábio Melo na etapa final selaram a vitória do time. A primeira final da história da equipe deixou todos emocionados. O choro da maioria dos jogadores mostrava o quanto o torneio era importante para eles que agora vão buscar o título contra uma equipe acostumada a chegar nos torneios da Escandinávia.
Além de tentar o bicampeonato da Norway Cup, o Karanba foi vice-campeão da Dana Cup, na Dinamarca, neste ano. Já o time sub-20, que chegou na final depois de duas goleadas (5 a 0 no Boler e 8 a 0 no Heroy), tentará a tríplice coroa na Escandinávia, uma vez que faturou a Dana Cup e a Gothia Cup, na Suécia.
* O repórter viajou a convite da Embaixada da Noruega
(Post originalmente publicado no blog Planeta que Rola)

Diferentes formas de ver o futebol feminino

Um time feminino num dos campos da Norway Cup: São 420 no torneio - Marcelo Alves
Campeã mundial em 1995, europeia em 1987 e 1993, e com um campeonato nacional que existe desde 1987, não é difícil entender após uma caminhada por alguns dos 62 campos da Norway Cup porque a Noruega é uma das potências no esporte. São centenas de meninas de todas as idades disputando o torneio. Desde o início, a competição sempre procurou incluir as garotas na disputa. Na primeira edição, em 1972, foram nove times femininos e o Amazone, da Noruega, acabou sendo campeão. Neste ano, são 420 times, o que corresponde a 31% dos 1349 inscritos no torneio.
E a cada ano novos times de outros países trazem equipes femininas. Neste ano, três países estrearam na competição: Afeganistão, Kosovo e Brasil.
É um desejo do torneio incentivar o futebol feminino e ampliar a participação das garotas. Tanto que há três anos, Uganda quase foi impedida de participar da competição porque um dirigente do país africano disse que o futebol não era esporte de mulheres. A resposta foi direta: Ou arrumam um time feminino, ou ninguém vem para Oslo. Hoje Uganda é representada pelo Bring Children time criado em 2005 por um orfanato de mesmo nome que tira crianças das ruas da capital Kampala e as dá oportunidade de educação e prática esportiva.
A equipe do orfanato de Uganda - Marcelo Alves
- Lá elas jogam, fazem amizades, obtém conhecimento e assim não ficam pensando sobre os pais mortos ou desaparecidos. O trabalho é para que elas sigam em frente – conta a técnica do time, Tracy Jones.
Trabalho semelhante é encontrado no time brasileiro da Alunorte Rainforest. As meninas do time sub-20, que foram eliminadas nas oitavas de final, vivem em comunidades carentes em áreas de risco de Barcarena, no interior do Pará. Através do projeto social, elas estudam, têm acompanhamento psicológico e praticam o esporte. Pela primeira vez na Norway Cup, as garotas vivem uma experiência definida como indescritível.
- Para mim está sendo uma experiência inesquecível vir para uma cidade com uma cultura tão diferente – afirma Suele, de 20 anos, que também trabalha como voluntária do projeto.
Suele terminou o segundo grau e sonha em cursar Educação Física. O futebol, ela diz, é diversão e o projeto uma espécie de segunda casa. O futebol também representa muito para Marilene, de 17 anos. Antes de viajar para a Norway Cup, ela viveu dois dramas: a perda da irmã Mariane, que morreu em novembro, aos 19 anos, vítima de uma infecção generalizada, e ela mesma teve uma infecção urinária, que, no entanto, foi tratada a tempo.
Visivelmente emocionada ao lembrar da irmã, Marilene, chamada de Perry no time, diz que só está no Rainforest graças à irmã. Hoje ela vive com os pais e mais cinco irmãos numa casa pequena em Barcarena e diz que ter sido selecionada para o time (todo ano há uma disputada seleção para a formação da equipe) foi a realização de um sonho.
Marilene e Suele, duas jovens do time feminino do Alunorte Rainforest - Marcelo Alves
- Para você ver como Deus tem coisa melhor para nos reservar na frente. Qualquer um de nós poderia ter desistido depois de passar pelas dificuldades que passei, mas eu nunca perdi a vontade. Nunca desisti – disse Perry, que foi reprovada em três seleções antes de entrar para o time.
O time do Rainforest ainda poderá ganhar no ano que vem um adversário brasileiro. Idealizador do projeto social do Karanba no Rio de Janeiro, o norueguês Tommy Nielsen vai começar um time feminino a partir de outubro ou novembro.
- É uma nova etapa do Karanba. Teremos meninas a partir de dez anos – diz.
Convidada para ser treinadora do Rainforest na Norway Cup, a meia da seleção brasileira Formiga diz que o Brasil deveria olhar com mais carinho para o futebol feminino. Para a jogadora, ainda falta apoio dos dirigentes brasileiros para que a modalidade se desenvolva no país. O discurso pode até parecer repetitivo, mas a realidade, ela diz, não mudou muitos nos últimos anos, apesar do relativo sucesso da seleção, que acumula um vice-campeonato mundial e olímpico, mas na Copa deste ano foi eliminada nas quartas de final pelos Estados Unidos.
- O preconceito não existe mais na população, mas ainda há entre os dirigentes. E não sei se o título mundial ia ajudar muito a mudar a imagem. Falta vontade política. Por que não tem um calendário para o futebol feminino? A Noruega não participou da Olimpíada, mas manteve o time. O Japão (que foi campeão mundial) fez amistoso com todos os principais adversários. Nós nos reunimos 15 dias antes para treinar na Granja e fizemos poucos amistosos e sem adversários de peso. Enquanto isso, os Estados Unidos fizeram 15 amistosos – critica Formiga, sem clube desde dezembro do ano passado. – Esse é o incentivo que o esporte dá.
Para Formiga, enquanto o Brasil não se organizar, o futebol feminino será um esporte disputado de forma quase heroica no país. Da mesma forma que acontece no Afeganistão, onde as meninas arriscam a vida pelo esporte. (Conheça a história do Cabul no post abaixo).
Enquanto isso, a Noruega segue tratando igualmente e deixando suas meninas jogarem no mesmo gramado dos meninos.
* O repórter viajou a convite da Embaixada da Noruega
(Post originalmente publicado no blog Planeta que Rola)

Quando o gol realmente é um detalhe

A capitã do time do Cabul FC posa enrolada na bandeira do Afeganistão: orgulho para o time - Marcelo Alves
Uma das principais competições de base do planeta, a Norway Cup tem entre os seus 1.349 participantes, muitos times que se preparam o ano inteiro para serem campeões. Para o time feminino do Cabul FC, no entanto, participar do torneio em Oslo, na Noruega, já significou um título. Fundado há 18 anos pela persistência e o desejo de uma menina de jogar futebol em meio a um Afeganistão que ainda hoje vê o futebol feminino com preconceito, as 21 garotas entre 17 e 19 anos que formaram o primeiro time feminino do país a disputar o torneio tiveram que superar ainda as dificuldades para treinar e a dor da perda das famílias na guerra contra o governo talibã para entrarem em campo e defenderem as cores do time da capital.
- A gente tem muito orgulho desse time. Elas mostraram que são fortes, deram o melhor de si aqui para defenderem as cores do Afeganistão – conta Zakiqa Rahmaii, após a derrota por 6 a 1 para as norueguesas do Tjalg, que selou a participação do Cabul na competição em que o time já perdera para o Bryne (8 a 0) e o Frigg Oslo FK (2 a 0).
Zakiqa é uma espécie de faz tudo para dar suporte ao time afegão. Atua como tradutora, conversa com jornalistas, carrega bolas e torce. Torce apaixonadamente como todos os afegãos que estiveram presentes no campo 20 num dos jogos mais concorridos da primeira fase da Norway Cup. A presença de dezenas deles se explica nas estatísticas de imigrantes na Noruega. Oslo tem pouco mais de 2.500 afegãos, muitos deles refugiados de guerra.
Um deles é Kwalidei Gopail. Capitã do time do Cabul, ela deixou o Afeganistão há dois meses ameaçada de morte por pessoas contrárias ao futebol feminino. Ela diz que dirigentes esportivos locais, dentro até do comitê olímpico, não querem que as meninas joguem. Embora o o futebol esteja se popularizando entre as meninas no Afeganistão, Kwalidei afirma que a mentalidade de quem comanda o esporte no país ainda é muito atrasada.
- Jogar futebol no Afeganistão é uma batalha diária. É muito difícil. Você arrisca a sua vida para treinar e para jogar, vê pessoas tentando subornar meninas e famílias... Lá o futebol é visto como esporte de homem e mulheres não deveriam jogar. Isso desperta ciúme e inveja das pessoas. Mas o nosso papel é encorajar as jogadoras a lutarem sempre e continuarem jogando – afirma.
O técnico do Cabul homenageia as meninas no seu discurso - Marcelo Alves
Kwalidei respira fundo, abaixa a cabeça e não consegue esconder a tristeza ao lembrar da família que morreu na guerra. Ela não é a única. Praticamente todas as meninas ali conhecem a dor da perda de um parente e a mínima lembrança disso transforma os semblantes do time, torcedores e familiares presentes.
Mas o choro coletivo logo se reverte em alegria com o discurso do técnico improvisado para a competição.
Enquanto o treinador das meninas era impedido de viajar por causa de problemas para conseguir o visto, Khalida Popal assumia o papel de técnico, pai e amigo das jogadoras. Num discurso ali do lado de fora do campo, ele disse estar orgulhoso da participação do Cabul no torneio. Uma a uma, homenageava cada jogadora citando o nome e pedindo que as aplaudissem. Foram apenas 15 dias de contato com as meninas para preparar o time para o torneio. A vitória não veio e apenas um gol foi marcado, mas de certa forma o objetivo tinha sido alcançado.
- É muito difícil para elas deixar as famílias e vir aqui jogar, mas elas querem mostrar que as meninas podem jogar futebol. Elas querem mostrar ao mundo que o país também é delas – afirma a Kwalidei, antes de se despedir das suas companheiras de time.
- Eu estou feliz e me sinto orgulhosa de ter participado de um torneio tão grande. Temos sorte de termos participado de um dos maiores torneios do mundo – completa a capitã.
Enquanto isso, o futebol continuará sendo uma válvula de escape para as garotas afegãs.
- Os homens ainda têm muitas coisas para escolher (para trabalhar). Para a mulher, o futebol é a saída. Muitas vezes não podemos sequer sair de casa sem a companhia de um homem. O Afeganistão está mudando, mas a situação por lá ainda é difícil. Ela sempre é difícil – conclui Zakiqa.
(Post originalmente publicado no blog Planeta que Rola)

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Um dia com o Karanba

O capitão Marcos dá entrevista para uma TV norueguesa após a partida do time sub-18 - Marcelo Alves
Acompanhar um jogo do Karanba é quase como ver uma equipe profissional. Uma das estrelas da Norway Cup, o time que nasceu a partir de um projeto social do ex-jogador norueguês Tommy Nielsen (relembre como começou o sonho do Karanba aqui) com crianças carentes no Rio de Janeiro, atrai os olhares de todos na competição em Oslo. A presença de público é sempre grande nos seus jogos e a TV local quer entrevistar seus jogadores. Até na capa da revista que circula dentro do torneio eles já foram parar com a inevitável alusão que o futebol brasileiro sempre tem com o samba. Foi no dia seguinte à goleada de 10 a 0 sobre o Kolvereid, da Noruega, aplicada pela equipe sub-16.
Atual campeão do torneio na categoria sub-16, o time virou referência de bom futebol nos campeonatos da Escandinávia. Só neste ano, a equipe sub-18 já faturou a Dana Cup na Dinamarca e a Gothia Cup, o maior dos três torneios, na Suécia. O time sub-16 também foi bem, tendo sido vice-campeão na Dinamarca. No périplo de um mês na Europa, o pior resultado foi a eliminação nas quartas de final do time sub-16 na Gothia. Na Suécia, o time é bicampeão, na Dinamarca tri.
É uma equipe vencedora e se fosse futebol profissional seria um daqueles clubes gigantes que disputam todos os torneios para vencer. Embora todos façam questão de frisar que apesar da felicidade com o sucesso dentro de campo, o objetivo do projeto é muito maior.
- O trabalho aqui é voltado para mudar vidas, abrir portas e, ao vislumbrar essa possibilidade, agarrar a oportunidade – afirma João Lomeu, técnico do time sub-18 e um dos responsáveis pelo trabalho com os jogadores junto com o preparador de goleiros Josemiro de Goes, o preparador físico Paulo Júnior e o fisioterapeuta Arthur Carvalho.

João Lomeu organiza a corrente após mais uma vitória do sub-18 - Marcelo Alves

O discurso é afinado com o que Tommy pensou para o Karanba quando ele foi fundado em 2006: usar o futebol como instrumento de educação. Embora praticamente todos os meninos do Karanba sonhem com a carreira profissional, Tommy sabe que é uma minoria que terá uma chance de treinar e um número ainda menor conseguirá atravessar o funil que vai dar no futebol profissional.
- É preciso dar uma oportunidade para quem nasceu e cresceu dentro de uma comunidade já sem qualquer oportunidade – diz Tommy.
Mas é claro que quando a competição afunila, o lado jogador de Tommy também fala alto. Depois de uma primeira fase absolutamente tranquila fechada só com goleadas e de um 13 a 0 no primeiro jogo do mata-mata contra o Stjordals Blink, o time sub-16 do Karanba encontrou dificuldades pela primeira vez na competição.
O Honefoss BK 1 mostrou um outro lado da Norway Cup que imita o futebol profissional: jogo fechado, catimba e o clássico futebol de resultados quando se joga para não perder como se fosse uma Copa do Mundo.
Do lado de fora, Tommy alertava que o time precisava jogar “simples e bonito” para vencer. Quando o projeto Karanba entra em campo, o norueguês atua como incentivador. É a figura que dá apoio ao time e tenta tranquilizar os seus jogadores. Ao técnico Sérgio Antunes, que já trabalhou na base do Botafogo e do Vasco, cabe orientar, dar as broncas e chamar atenção dos garotos para não perderem o foco da partida e não serem surpreendidos.
Os jogadores do time sub-16 comemoram o gol que abriu a vitória sobre o Honefoss BK 1 - Marcelo Alves
Ele quase vai a loucura com a falta de atenção no primeiro tempo que por pouco não levou o Karanba a sofrer gols em dois lances de faltas cobradas rapidamente. A arbitragem também era muito criticada enquanto o Karanba não conseguia chegar ao gol. Mas no segundo tempo, o time impôs o seu melhor futebol para vencer por 2 a 0 e subir mais um degrau na competição, como o treinador frisara na preleção antes da partida.
Os sonhos do Karanba continuam vivos. Alguns deles podem ser realizados até sábado. Mas até lá ainda faltam alguns degraus para o time sub-16 e o time sub-18. O primeiro joga nesta quinta contra o Nest-Sotra enquanto o segundo, que eliminou o Rio FC com uma vitória de 3 a 0, enfrenta no mesmo dia o Skeid Football 1.
O Rio FC já está fora da competição. Entre os outros brasileiros, o Pequeninos do Jockey sub-16 venceu o Valerenga 2 por 4 a 0 e enfrenta nesta quinta o Sunndal 1. Os dois times sub-14 enfrentarão o Djugardens, da Suécia, e o Gol IL, respectivamente. Já o time masculino sub-16 da Alunorte Rainforest venceu por 4 a 0 o Oppsal Football e agora enfrentará o Flisa/Kjellmira/Asa/Hof. A equipe feminina foi eliminada da competição ao perder de 2 a 0 para o Vang FL.
*O repórter viajou a convite da Embaixada da Noruega
(Post originalmente publicado no blog Planeta que Rola)

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Uma experiência num estádio norueguês

Jogadores do Liverpool e do Valerenga respeitam um minuto de silêncio (é silêncio mesmo)- Marcelo Alves
Não é todo dia que se vê um jogo de um gigante europeu. Principalmente quando eles não jogam no seu país com frequência. Por isso que o Liverpool levou uma torcida de respeito ao Ullevaal Stadium, em Oslo, capital da Noruega, nesta segunda-feira para assistir ao penúltimo amistoso da equipe de Kenny Dalglish antes do início da temporada no próximo dia 13, quando os Reds dão o pontapé inicial no Campeonato Inglês contra o Sunderland.
Foram mais de 24 mil pagantes no estádio que tem capacidade de 25.572 pessoas. Desse total, 90% era de torcedores do time inglês, o que provocou no Valerenga, time de Oslo que foi o adversário da vez, a sensação de ser visitante jogando em casa. Ao meu lado, um orgulhoso torcedor do clube e dublê de fonte jornalística me explicou que o mar vermelho que invadiu o estádio cantando “You’ll never walk alone” tem sentido porque a Noruega é o país que tem o maior número de torcedores do time inglês na Europa (tirando a Inglaterra, evidentemente).
Em campo, fãs dos Reds e do Valerenga viram uma partida movimentada, em clima de amistoso mesmo, e um empate em 3 a 3 que agradou a todo mundo na noite (apenas no relógio, porque estava o maior sol) de Oslo.
Torcedores do Liverpool bebendo nos bares do lado de fora do estádio - Marcelo Alves
Para os torcedores noruegueses do clube inglês foi quase um acontecimento. Desde cedo, eles já se acumulavam do lado de fora do estádio comendo nas lanchonetes ali por perto e bebendo antes de entrar. Lá dentro não vi bebida alcoólica sendo vendida. Apenas refrigerantes e água. Para comer, uma linguiça enrolada num pão árabe ou chocolates.
Foi no Ullevaal que conheci o maravilhoso mundo do lugar marcado. Uma realidade que no Rio só tenho nos cinemas. Você pode entrar faltando cinco minutos para o início da peleja que vai se sentar no lugar pelo qual você pagou. Isso é que é ver futebol. Tudo bem que os assentos são bem apertados e desconfortáveis, mas nem tudo é perfeito.
Antes, a torcida espera pacientemente a chegada do time. Sem Gerrard, que se lesionou na pré-temporada e só volta a jogar em setembro, e Luís Suárez, o atacante que ganhou alguns dias de descanso após a conquista da Copa América pelo Uruguai, os mais festejados são o técnico Kenny Dalglish, maior ídolo da história do clube, o que faz muitos torcedores vestirem uma camisa vermelha com sua foto e a frase “King Kenny”, e o zagueiro Jaime Carragher, uma lenda para os torcedores e um dos remanescentes do último título europeu do clube em 2005.
Após a salva de palmas, cada um foi tomar as últimas cervejas antes de entrar no estádio. Maior arena da Noruega, o Ulevaal recebe jogos do Valerenga e da seleção do país. Foi aqui que na semana passada o time perdeu de 2 a 0 para o PAOK Salonika, da Grécia, e ficou em situação difícil na terceira rodada eliminatória da Liga Europa. Mas a torcida é animada e canta junto a “Valerenga Kirke” com um artista local encarregado de tocar a música. A canção (veja o vídeo no fim do post) é uma espécie de hino informal do clube e muito importante por falar de uma igreja da região construída no século XIX que foi praticamente toda destruída por um incêndio em 1979. A igreja foi reconstruída em 1984, quando Tronde Ingebretsen compôs a letra que foi gravada pela sua banda, o Bjolsen Vasemolle. A partir daí, a música passou a ser cantada pelos torcedores do Valerenga.
Depois, o estádio inteiro cantou com outro artista local “You’ll never walka alone” (vou dizer que é realmente emocionante ver isso) e é respeitado um minuto de silêncio pelas vítimas que morreram no atentado da semana retrasada na Noruega (e é silêncio mesmo. Poderiamos ouvir um alfinete cair no chão). Os jogadores do Liverpool também colocaram flores atrás de um dos gols em homenagem aos mortos.
O mar vermelho de torcedores do Liverpool - Marcelo Alves
Na partida, o clima era total de amistoso. O Liverpool estava bastante modificado. Além das estrelas citadas acima, também não estiveram em campo o brasileiro Lucas, que ficou em Liverpool treinando e os meias Joe Cole, Maxi Rodriguez e Raul Meirelles. Estes dois últimos foram titulares na temporada passada. Com isso, Kenny Dalglish colocou em campo suas três novas contratações, os jogadores de meio-campo Charlie Adam, Stewart Downing e Jordan Henderson. Junto com Jay Spearing, foi uma formação que nunca jogou junta, o que se pôde perceber com a falta de entrosamento do setor. Adam esteve bem na partida, enquanto os outros dois novatos não jogaram bem.
O Valerenga levou um pouco mais à sério o amistoso, mas também não queria correr muitos riscos já que na quinta-feira faz um jogo decisivo contra o PAOK pela Liga Europa.
Em campo, além da falta de entrosamento do meio, dá para perceber várias coisas. Primeiro: se fosse para levar em conta só essa partida, o Liverpool gastou é muita grana por Andy Carroll. Até fazer o primeiro gol, o ex-centroavante do Newcastle tinha acumulado duas faltas, alguns empurrões, muitos saltos e algumas matadas de bola na canela. É um bonde, diriam uns. Mas é matador. Tanto é que estava lá presente para fazer o primeiro gol quando os Reds perdiam de 2 a 0.
A torcida do Valerenga - Marcelo Alves
Em segundo lugar, como o Dirk Kuyt gosta de cornetar o jogo. Não tem um lance que ele discorde da marcação do árbitro que ele não vá buzinar no ouvido do bandeirinha. Os assistentes devem sofrer com o holandês.
Mas como eu disse, no início quem foi ver o Liverpool viu foi o Valerenga. Marcando em cima, o time que mostrava ter muito mais condicionamento físico (o que faz sentido, porque a temporada na Noruega começou em abril), abriu logo 2 a 0 com Strand aos 13 e Ogude, aos 19 num pênalti marcado só depois da pressão da torcida. Vocês achavam que só existia árbitro caseiro no Brasil? Depois desse lance, qualquer jogador do Liverpool que caia na área, a torcida gritava, mas em nenhum lance houve pênalti realmente. Carroll diminuiu aos 43 num lance confuso na área que ele definiu.
O centroavante jogou muito isolado no esquema de Dalglish. Kuyt, que deveria ser o seu parceiro de ataque, jogava mais no meio-campo, o que fez o Liverpool alinhar num 4-5-1. Mas sua defesa não estava nada protegida porque pelo lado direito havia uma avenida chamada Glen Johnsson por onde todo mundo passava. Entre eles, um jogador chamado Kone que infernizou a defesa dos Reds.
O lance do gol de pênalti do Valerenga - Marcelo Alves
A torcida do Valerenga fazia a festa e ensaiava versões de Guantanamera e Glory, glory United, ops, Valerenga. O troco viria no segundo tempo, quando o Liverpool voltou melhor – afinal, não ia querer decepcionar os seus fãs noruegueses –, mas só chegou aos gols nos dez minutos finais. Foi exatamente no período em que o volante italiano Aquilani esteve em campo. Ele mudou a partida (e não pode deixar o clube, a julgar pelo que jogou no amistoso). Foi dele as melhores jogadas e os cruzamentos para os dois gols do zagueiro Agger.
Era a vez da torcida organizada do Valerenga que se posicionava atrás de um dos gols ficar quieta, com os braços cruzados e cara de poucos amigos. Naquela situação, eu não pegaria o metrô com eles de jeito nenhum. Mas já nos acréscimos, quando os torcedores cantavam, como é tradição, “You’ll never walk alone” (começa aos 45 do segundo tempo), Fellah achou um gol de fora da área sem chance para Reina e deu números finais à partida.
Em minutos o estádio já estava vazio de novo com os torcedores se dirigindo satisfeitos para as suas casas de trem, ônibus ou metrô.
O Liverpool agora fará um amistoso contra o Valencia no sábado, na Espanha. Até agora o time fez cinco jogos na pré-temporada. Ganhou dois (Guangdong 4 a 3 e Malásia XI 6 a 3), empatou um e perdeu para o Hull City (3 a 0) e o Galatasaray (3 a 0).
A torcida do Liverpool cantando You'll never walk alone no fim do jogo - Marcelo Alves
Kenny Dalglish acena para os torcedores - Marcelo Alves
Dirk Kuyt na chegada ao estádio - Marcelo Alves
O estádio ainda vazio antes da partida - Marcelo Alves
(Post originalmente publicado no blog Planeta que Rola)

O mundo se encontrando na Norway Cup

O time improvisado com meninas do mundo inteiro que enfrentou a Noruega sub-20 - Marcelo Alves
Bem amigos do Planeta que Rola. Estou na Noruega acompanhando um dos maiores torneios de base do mundo. A Norway Cup é um a das três tradicionais competições que são disputadas anualmente na Escandinávia. As outras são a Gothia Cup, na Suécia, e a Dana Cup, na Dinamarca.
Neste ano, a 39ª edição da Norway Cup, que vai até sábado em Oslo, tem 1.349 times disputando. São 30 mil atletas de 12 a 19 anos tanto no masculino quanto no feminino. No total, são 51 países participando do torneio em diversas categorias.
Público assiste à um dos jogos em um dos 15 campos em Ekkeberg, na Noruega - Marcelo Alves
A maioria dos times é da Noruega, mas há equipes do Afeganistão, Nepal, Albânia, Gâmbia, Guatemala, Palestina, Filipinas, Líbano, Senegal, Uganda... Prato cheia para nós que gostamos de observar o futebol nos lugares mais improváveis.
É claro que no meio de tantas equipes não podia faltar o futebol brasileiro. Cinco times estão participando da competição neste ano. Um deles defende o título do ano passado. O Karanba, do Rio de Janeiro, foi campeão no ano passado na classe B (para meninos entre 15 e 16 anos).
Neste ano, o time já fez dois jogos e está passeando na competição. Começou com um 10 a 0 sobre o Kolvereid e hoje ganhou de 4 a 0 o Hemsidal, ambos da Noruega. Na classe A (meninos entre 17 e 19 anos), o Karanba também goleou duas vezes: 4 a 0 no Turn Football e 10 a 0 no Aram/Vankam.
Minuto de silêncio em homenagem aos mortos no atentado na Noruega há mais de uma semana - Marcelo Alves
Outro campeão do ano passado, o Joinville, que venceu na classe E (também para meninos de 15 e 16 anos, mas com jogos disputados em dois tempos de 20 minutos) não está presente.
Os outros brasileiros na competição são o Pequeninos do Jockey e o Olímpico Paulista, de São Paulo, a Alunorte Rainforest, do Pará, e o Rio FC, do Rio de Janeiro. 
Projeto social da empresa de mesmo nome, a Alunorte está com um time masculino sub-16 e um time feminino, o único entre os brasileiros, sub-20. Os meninos ganharam por 8 a 0 o Nordstrand, da Noruega. No primeiro jogo, já haviam vencido por 3 a 0 o Nordre Fjell, também norueguês. Já as meninas venceram nesta segunda o Lysekloster por 2 a 0. Na estreia, elas bateram o Kfum-Kam por 2 a 0. 
Formiga orienta o time feminino da Alunorte, do Pará - Marcelo Alves
O time feminino contou com uma ajuda técnica de respeito. A meio-campo Formiga, de 33 anos, da seleção brasileira, deu uma de treinadora da equipe e já até pensa em seguir na profissão quando pendurar as chuteiras.
- Até que a experiência tem sido bem legal. Estou pensando em virar treinadora ou preparadora física (quando encerrar a carreira). O importante é continuar trabalhando no esporte.
Em um dos países que mais valoriza e investe no futebol feminino, Formiga virou uma atração na Norway Cup. Teve até que dar uma canja a pedido de todos num jogo organizado entre a seleção sub-20 da Noruega e um time sub-20 formado por jogadores de todos os cantos do planeta (Albânia, Chipre, Islândia, Nepal, Bósnia, Brasil, entre outros). O time do mundo acabou perdendo de 6 a 3, mas o objetivo da partida era mais promover uma integração entre as meninas. Não valia taça. 
Formiga (primeira agachada no canto esquerdo) posa com o time do mundo e as norueguesas - Marcelo Alves

Campeão da Classe B em 1982, 88, 92, 94 e 2007, na Classe C (meninos de 14 anos), em 1982, 94, 90, 2000, 2001, 2004, 2005 e 2008, na classe D (meninos de 13 anos) em 1984 e 87, na classe E (meninos entre 15 e 16 anos), em 1993 e 1994, e na classe F (meninos de 14 anos), em 1988, o Pequeninos do Jockey estreou na classe B com uma goleada de 4 a 0 sobre o Salangen IF. Na classe C, fez 5 a 0 no Rustad e 2 a 0 no Lunner FK.
Dos times brasileiros, o Olimpico Paulista e o Rio FC são os únicos que não venceram ainda no torneio. O time paulista perdeu para o Nesodden (3 a 0) e o Sandiviken (6 a 0). Já o Rio foi derrotado pelo Sotra por 5 a 0. Os dois times disputam a classe A.
* O repórter viajou a convite da Embaixada da Noruega
(Post originalmente publicado no blog Planeta que Rola)