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| O Carabobo/Reprodução do site do clube |
Dizem que não há mais time bobo no futebol. Mas Carabobo, com certeza, tem. A Libertadores-2017 vai apresentar ao continente o Carabobo, da Venezuela, que jogará pela primeira vez o torneio no ano que vem. Trocadilhos infames à parte, o clube é um dos três desconhecidos do grande público que farão sua estreia na competição mais importante da América do Sul. Os outros têm também nomes curiosos: o Deportivo Capiatá, do Paraguai, fundado recentemente, em 2008, e o Sport Boys Warnes, da Bolívia, que já teve entre seus jogadores o presidente do país, Evo Morales, e foi treinado por uma mulher.
CARABOBO
Garantido na segunda fase preliminar graças ao terceiro lugar no Campeonato Venezuelano, o Carabobo será alvo de muitas piadas por conta do seu nome, se cruzar com algum time brasileiro. O clube, com as suas, digamos, configurações atuais, surgiu em 1997, a partir do que restou do antigo Valencia Fútbol Club, time da capital do estado de Carabobo que havia sido fundado em 1964 e estava vivendo uma grave crise financeira. Com o nome antigo foram disputadas três Libertadores, em 1970, 1972 e 1974.
Na ocasião, o Valencia estava acabado, e seus jogadores treinavam na Universidade de Carabobo. Foi quando o governo local se uniu a vários entes públicos e empresas privadas para tentar reestruturar o futebol na cidade. No dia 26 de fevereiro de 1997, o Valencia ressurgia como Carabobo FC, time que faria a sua estreia no dia 9 de março de 1997, ao ser derrotado por 2 a 0 pelo Nacional Táchira, em San Cristóbal.
No segundo jogo, o primeiro na sua casa, o Estádio Misael Delgado de Valencia, a equipe vinotinto (sim, exatamente como a seleção), marcou o primeiro gol de sua história. Obra do colombiano José Luis Segura, autor do gol da vitória contra o Atlético Zamora.
Mostrando que não seria mais um bobo no futebol, o jovem time conseguiu o acesso para a elite logo em sua primeira temporada, ao golear o Monagas por 5 a 0, conquistando o título da segunda divisão. O time, no entanto, ainda busca o seu primeiro troféu de primeira divisão.
Ao chegar na elite, o Carabobo tinha como principal meta disputar uma Libertadores. Algo que só conseguirá em 2017. Na caminhada até lá, o time foi rebaixado em 2001, mas logo retornou para a elite. O mesmo aconteceu em 2012.
A Libertadores-2017 não será a primeira experiência internacional do Carabobo. O time já havia disputado as edições da Copa Sul-Americana de 2004, 2006 e 2007, sendo sempre eliminado nas fases preliminares. No ano passado, o Carabobo mais uma vez disputou a Copa Sul-Americana, mas caiu diante do Deportes Tolima, da Colômbia.
Embora muito jovem, o time venezuelano tem um rival, contra quem faz um derbi da região. Trata-se do Aragua FC, com quem faz o chamado "Clásico de las autopistas", encontro entre o time de Valencia e o de Maracay, cidades separadas por apenas 50km.
O Carabobo não tem jogadores conhecidos do grande público. A grande maioria do seu plantel é formado por jogadores venezuelanos. As exceções são o zagueiro panamennho Darwin Pinzón e o atacante argentino Tulio Etchemaite. Assim, o nome mais conhecido é mesmo o treinador, o ex-jogador da seleção boliviana Julio César Baldivieso.
DEPORTIVO CAPIATÁ
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| Paraguaios disputarão primeira Libertadores | Reprodução |
Assim como o Carabobo, o Deportivo Capiatá é uma jovem equipe que busca a primeira taça para exibir em sua sala de troféus. O mais longe que o time fundado em 2008 chegou foi o vice-campeonato da segunda divisão do Paraguai em 2012.
O Capiatá tem uma trajetória semelhante à da Chapecoense, equipe que foi rapidamente da Série D para a Série A do Brasil entre 2009 e 2014. No caso dos paraguaios, que têm como um dos apelidos o pomposo “El equipo Mitológico”, a estreia na terceira divisão do país foi em 2008. Em 2010, o time faria a sua estreia na segunda divisão, logo depois de ter concluído a construção do seu estádio próprio, o Enrico Galeano Segóvia, com capacidade para 15 mil espectadores.
O início na Série B não foi bom, terminando na modesta 12ª posição. No ano seguinte, não foi para a elite por causa de apenas um ponto. O acesso só veio com o vice-campeonato em 2012. Uma campanha que teve 16 vitórias, sete empates e apenas seis derrotas.
Assim, o Capiatá se convertia na sétima equipe vinda das ligas regionais do interior do país a ter chegado à elite do Paraguai. E a estreia do Capiatá foi promissora. Um quinto lugar que lhe garantiu uma vaga na Copa Sul-Americana de 2014.
Sua campanha no torneio foi muito boa para um time que até 2008 estava na liga amadora do país. Eliminou o Danúbio, do Uruguai, o Caracas, da Venezuela, e só caiu diante do Boca Juniors nas oitavas de final.
Agora o time vai entrar na primeira fase pré-Libertadores de 2017 por ter obtido a segunda melhor pontuação no Campeonato Paraguaio entre as equipes que não foram campeãs do Clausura ou do Apertura.
Treinado pelo ex-jogador paraguaio Félix Dario León, o time tem um plantel formado em sua grande parte por jogadores do país. Os únicos estrangeiros são os argentinos Hugo Colace e Rodrigo Soria, o venezuelano Luis Páez e o camaronês Christ Mbondi.
SPORT BOYS WARNES
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| Evo quando assinou contrato | Reprodução/Sport Boys |
Conhecido como “El Toro”, o clube boliviano se garantiu na fase de grupos da Libertadores ao conquistar o torneio Apertura deste ano. Dos três desconhecidos, é o mais antigo, tendo sido fundado em 17 de agosto de 1954.
Embora já tenha 62 anos, o clube de Warnes, cidade de pouco mais de 96 mil habitantes do departamento de Santa Cruz, disputa só há pouco tempo as principais divisões bolivianas. A estreia na segunda divisão aconteceu apenas em 2012 depois de toda uma vida em divisões amadoras do país.
Em 2013, o time subiu para a elite onde joga desde então. A Libertadores será o primeiro torneio internacional que o clube disputará. Para isso, os bolivianos contam com a ajuda de dois brasileiros: o zagueiro Jefferson Lopes, ex-Tiradentes, do Ceará, e o atacante Anderson Gonzaga, que não defendeu nenhum clube brasileiro.
Mas nem o título boliviano consegue superar aquela que é a história mais curiosa do Sport Boys Warnes. Em 2014, o presidente da Bolívia, Evo Morales, assinou um contrato para defender o clube por um mês pela quantia de US$ 200. Assim, Evo, então com 54 anos, tornou-se o jogador mais velho a defender um clube de futebol profissional.
O convite a Evo foi feito na época pelo então presidente do clube, Mario Cronenbold, que era amigo pessoal do presidente boliviano. E na ocasião o dirigente deu carta branca ao presidente para escolher quais partidas ele queria jogar. As razões, no entanto, não foram nada futebolísticas.
- É uma questão de marketing. Uma empresa se comprometeu a nos dar apoio se o presidente jogasse pela equipe - confessou o dirigente na época.
O presidente boliviano, porém, acabou descartando defender o clube dois meses depois de sua contratação porque não se sentia bem fisicamente para entrar em campo.
- Não quero prejudicar, não estamos à altura de um esportista. Tentei intensificar a minha preparação física, mas creio que não estamos à altura. Só prejudicaria (a equipe) - afirmou na ocasião.
O Sport Boys também foi o primeiro clube do país a ter uma mulher comandando a equipe. Em 2013, a secretária geral do clube Hilda Ordóñez assumiu o comando do time depois da saída do antigo treinador. Mas a experiência durou pouco tempo, pois logo o clube contrataria o argentino Néstor Clausen.
(Post originalmente publicado no blog Planeta que Rola)