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quarta-feira, 11 de maio de 2016

Buffon renova e vai se aproximar de recorde de Del Piero

Após garantir o pentacampeonato italiano, a Juventus começa a planejar o elenco para a próxima temporada, quando buscará mais um título em casa e lutará pela sonhada taça da Liga dos Campeões da Europa. Nesta quarta-feira, o clube acertou a renovação de contrato de um dos seus principais jogadores. O goleiro Gianluigi Buffon, de 38 anos, assinou por mais duas temporadas com a Velha Senhora.
Assim, Buffon poderá se aproximar e, eventualmente, até ultrapassar o ex-atacante Alessandro Del Piero como o jogador com o maior número de partidas com a camisa do clube italiano. Hoje Buffon é o segundo colocado da lista com 578 jogos. Del Piero é o único que está a frente do goleiro com 705 partidas.
Como Buffon ainda tem mais um jogo a fazer, ele encerrará a temporada com 579 partidas. Fazendo uma projeção de mais duas temporadas disputando o Italiano e ao menos a primeira fase da Liga dos Campeões, ele fará mais 88 jogos, o que o levaria para 667 partidas. Sem contar os jogos da Copa da Itália e das fases de mata-mata do torneio europeu. Buffon, portanto, poderá até ultrapassar Del Piero se a Juventus for bem nas duas próximas temporadas.
- Não fico pensando em bater Del Piero e eu não bateria a sua marca mesmo se eu jogases 50 a 55 partidas nos próximos dois anos. Os meus objetivos aqui sempre foram relacionados ao time como um todo e em trabalhar em algumas coisas individualmente - afirmou o goleiro, que está desde 2001 na Velha Senhora. 
Com a renovação, Buffon chegará aos 40 anos no gol da Juventus. Ainda assim, não se tornará o jogador mais velho a defender o clube. Esta marca pertence ao ex-goleiro Dino Zoff, que jogou pela Juventus com 41 anos e 86 dias.
- Sinto-me imensamente orgulhoso com a fé que a Juventus depositou em mim mais uma vez e espero que a minha história fantástica com esse clube continue com ainda mais sucesso - disse o goleiro.
O jogador conquistu dez scudettos com a Juventus, um título da segunda divisão, cinco Supercopas da Itália e uma Copa da Itália. Além disso, foi vice-campeão europeu há dois anos, quando perdeu a final para o Barcelona.
- Essas conquistas me dão um incrível senso de continuidade tanto para mim como jogador quanto como time. 
Além de Buffon, a Juventus anunciou a renovação de contrato do zagueiro Barzagli. Recentemente o volante Marchisio e o técnico Massimiliano Allegri também havia renovado contrato.
(Post originalmente publicado no blog Planeta que Rola)

terça-feira, 10 de maio de 2016

Bayern contrata Hummels e revelação do Benfica

A temporada europeia ainda nem acabou e o Bayern de Munique já tem duas contratações para apresentar aos seus torcedores para a próxima temporada. O clube anunciou nesta terça-feira a compra do jovem meia Renato Sanches, de 18 anos, junto ao Benfica. Logo depois, o Borussia Dortmund confirmou que o zagueiro Matts Hummels deixará o clube para defender o time bávaro. O Bayern pagará € 73 milhões R$ 289,2 milhões) pelos dois jogadores.
A contratação mais controversa é a de Hummels, o terceiro jogador idolatrado pela torcida a trocar o Dortmund pelo Bayern. Antes dele, o meia Mário Götze havia feito a mudança em 2013, quando foi chamado de Judas pela torcida. No ano seguinte, o centroavante Lewandowski foi para o time rival.
Hummels já havia revelado recentemente o desejo de ir para o Bayern. No último jogo do time em casa, contra o Wolfsburg, os torcedores da Muralha Amarela estenderam uma faixa com as frases: "O capitão está deixando o navio. Quanto mais depressa melhor".
Campeão do mundo com a seleção alemã, o zagueiro de 27 anos vai assinar com o Bayern por cinco temporadas, até 2021. Segundo a imprensa alemão, o Bayern deve pagar € 38 milhões (R$ 151,8 milhões).
- Mats Hummels decidiu depois de um longo e intenso período de reflexões voltar à sua nativa Munique, oito anos e meio após sua mudança para o Borussia Dortmund. Quero enfatizar que ele agiu a todo momento de maneira aberta e justa conosco - disse o diretor do Borussia Dortmund, Hans-Joachim Watzke, que lembrou que o zagueiro conquistou dois campeonatos alemães e ajudou o time a chegar na final da Liga dos Campeões de 2013. 
Assim como Götze, em 2013, Hummels acerta com o Bayern dias antes de o Dortmund enfrentar os bávaros em uma decisão. No dia 21, os dois times se enfrentam na decisão da Copa da Alemanha, final que também marcará a despedida de Guardiola do Bayern.
- Mats é um dos melhores zagueiros do mundo. Com ele, nós podemos melhorar a qualidade de nosso time - disse o diretor-executivo do Bayern, Karl Heinz Rummenigge.
Hummels só se apresenta após o fim da temporada. Já o meia Renato Sanches já realizou exames médicos em Munique. O Bayern pagará € 35 milhões (R$ 139,8 milhões) ao Benfica para contar com o jogador. Ele também assinou contrato de cinco anos. 
Segundo Rummenigge, Renato é "um dos jovens mais talentosos do futebol europeu".
- O Bayern tem observado Renato Sanches por um longo período e estamos orgulhosos por ter assinado com ele, apesar da concorrência - disse o dirigente.
(Post originalmente publicado no blog Planeta que Rola)

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Europa pode conhecer mais quatro campeões neste fim de semana

fim de semana de festa do Leicester City já está garantido depois que o time garantiu o inédito título inglês na segunda-feira, mas outras torcidas podem se juntar ao clube neste fim de semana e comemorarem seus títulos nacionais nesta reta final dos campeonatos europeus. Na Alemanha e em Portugal, a decisão está perto do fim, enquanto o campeão holandês será conhecido no domingo. E até na Espanha, onde a liga está mais disputada, o Barcelona pode garantir a sua taça.
O primeiro a dar a volta olímpica pode ser o Bayern de Munique. O time do técnico Pep Guardiola lidera a Bundesliga com cinco pontos de vantagem sobre o Borussia Dortmund (82 contra 77) e será campeão se derrotar o Ingolstadt fora de casa. 
O título do Bayern pode vir até com derrota. Para isso, basta que o Dortmund apenas empate contra o Eintracht Frankfurt, também fora de casa.
Eliminado da Liga dos Campeões da Europa pelo Atlético de Madrid, o Bayern tenta curar a ressaca e fazer o técnico Pep Guardiola encerrar o seu ciclo no clube bávaro com um título. O time, aliás, busca o inédito tetracampeonato da Bundesliga, um feito nunca conseguido por um clube alemão.
Em Portugal, Sporting e Benfica disputam rodada a rodada o título nacional. Faltam duas rodadas para o término da competição. O Benfica lidera com 82 pontos e o Sporting vem na sequência com 80.
Buscando um título que não conquista desde 2002, o Sporting recebe neste sábado, no estádio José Alvalade, o Vitória de Setúbal. Precisa vencer e secar o Benfica, que no domingo visita o Marítimo. 
Os Encarnados buscam o tricampeonato, que será conquistado com antecipação em caso de vitória e derrota do Sporting.
Na Holanda, conheceremos o campeão nacional, pois será disputada a última rodada da Eredivisie. Ajax e PSV estão empatados na primeira colocação com 81 pontos. Uma vitória e um tropeço do rival garante o título para um dos times.
Ambos jogarão fora de casa, mas a tarefa do Ajax é, em tese, mais fácil. Em vantagem na tabela pelos critérios de desempate, o time de Amsterdã visita o De Graafschap, penúltimo colocado da competição com 22 pontos.
Já o PSV visitará o Zwolle, sétimo colocado e ainda sonhando com uma vaga na Liga Europa. O time de Eindhoven busca o bicampeonato.
EQUILÍBRIO NA ESPANHA
Na Espanha também faltam duas rodadas e a disputa pelo título está muito equilibrada entre Barcelona, líder com 85 pontos, Atlético de Madrid, vice-líder com 85, e Real Madrid, terceiro colocado com 84.
Mas o clube catalão pode ser campeão no domingo. Para isso, precisará de uma combinação tripla de resultados. Primeiro, precisará vencer o clássico da Catalunha contra o Espanyol, no Camp Nou. 
Conquistada a vitória, o time ainda precisa torcer por derrotas do Atlético e do Real para o Levante, fora de casa, e o Valencia, no Santiago Bernabéu, respectivamente. Neste caso, o Barcelona abriria três pontos de diferença para o time de Simeone, mas seria campeão por causa da vantagem no confronto direto, primeiro critério de desempate. O Barcelona venceu os dois jogos da liga contra o Atlético.
Qualquer outro resultado leva a disputa para a última rodada, na semana que vem.
(Post originalmente publicado no blog Planeta que Rola)

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Guardiola se despede sem a Champions, mas ele fracassou o Bayern?

Quando o Bayern de Munique anunciou a contratação de Pep Guardiola seu objetivo era claro. O clube bávaro queria voltar a conquistar a Liga dos Campeões da Europa, algo que não conseguia desde 2001. Na ocasião, o time ainda era treinado por Jupp Heynckes e estava na disputa das três competições. Mas como Heynckes havia perdido em casa a final para o Chelsea, em 2012, o clube parecia estar atrás de um técnico que fizesse a equipe dar o salto necessário para voltar a conquistar o troféu. 
Enquanto isso, Guardiola era o que havia de mais inovador e sedutor no futebol. Seu time do Barcelona com Xavi, Iniesta e Messi como destaques envolvia os seus rivais com um futebol ofensivo e de toque de bola que massacrava os adversários e simplesmente não os deixava jogar, tamanha a eficiência e o controle da bola que a equipe catalã tinha. Além disso, tinha conquistado duas vezes a Liga dos Campeões (2009 e 2011). Guardiola era o novo Midas. Transformava-se, com méritos, em quase uma unanimidade.
Mas ele já chegaria em Munique pressionado, pois Heynckes conseguiu conduzir o Bayern a um impressionante título europeu na final contra o Borussia Dortmund. Tudo com direito a uma goleada de 7 a 0 no valor agregado na semifinal diante do Barcelona. O desafio agora era tão grande quanto o anterior. Fazer o Bayern ser hegemônico e conseguir criar uma dinastia do time alemão no cenário europeu como o grande Bayern dos anos 70 de Beckenbauer e Gerd Müller. 
Guardiola não conseguiu o título nas suas duas primeiras temporadas. Em dezembro, o clube anunciou que o treinador deixaria Munique, embora o time tivesse interesse em sua renovação. Mas Guardiola estava atrás de novos desafios e seu próximo passo teria que ser necessariamente a Inglaterra. E o Manchester City seria o seu novo desafio. O treinador catalão só tinha, portanto, mais uma chance de levar novamente o título europeu para Munique. Mas a eliminação para o Atlético de Madrid acabou com todas as esperanças do Bayern.
Mais uma vez Guardiola caia numa semifinal. Mais uma vez diante de um time espanhol. Perdeu para o Real Madrid em 2014, o Barcelona em 2015 e, por fim, para o bravo Atlético de Simeone. Isso significa que Guardiola fracassou? Não.
A Liga dos Campeões é a competição mais difícil do planeta. Ganhar uma vez é um feito. Duas, um fenômeno. Um treinador que ganha três vezes, é quase um mito. Apenas dois técnicos fizeram isso: Bob Paisley, campeão com o Liverpool em 1977, 1978 e 1981, e o futuro técnico do Bayern, Carlo Ancelotti, que venceu com o Milan em 2003 e 2007 e com o Real Madrid em 2014. 
- Fiz o melhor que pude. Fui muito feliz aqui, mas não consegui ganhar a Liga. Espero que o time possa ganhá-la no futuro - disse Guardiola, já se despedindo do Bayern.
HEGEMONIA NA ALEMANHA
Embora não tenha conquistado o sonhado título europeu, o trabalho de Guardiola foi ótimo no Bayern. O problema é compará-lo com o seu período no Barcelona, onde praticamente tudo deu certo. No Barça, Guardiola conquistou 14 de 19 títulos disputados (um aproveitamento de 73,6%). No Bayern, foram cinco de 12 títulos disputados (aproveitamento de 41,6%), mas Guardiola está a um empate do seu tricampeonato alemão e está na decisão da Copa da Alemanha, o que pode fazê-lo se despedir com sete títulos em 14 disputados. Um ótimo aproveitamento de metade das taças.
Guardiola manteve o Bayern como hegemônico na Alemanha e de certa forma teve sucesso na Europa ao conduzir o time a três semifinais consecutivas. Faltou o passo final. Esse desafio ficará para Ancelotti.
Na frieza dos números, seu desempenho até aqui é incontestável. Seu aproveitamento é de 75%, maior do que os 72,4% que obteve no Barcelona. Em 156 jogos, venceu 117. Empatou 20 e perdeu apenas 19. Dezenove derrotas em três anos. É quase nada. 
- A estatística é a estatística no futebol. Claro que eu queria chegar na final em cada um destes três anos. Espero que agora Carlo (Ancelotti) consiga - disse Guardiola, elogiando os "excelentes jogadores" que comandou e desejando o melhor para a equipe no futuro.
Agora, Guardiola vai para o City e pode até assumir o clube na mesma condição que chegou no Bayern. O time inglês está na semifinal da Liga dos Campeões e se superar o Real Madrid disputará a decisão contra o Atlético. Mesmo que o City caia, o seu grande desafio mais uma vez será fazer o time azul de Manchester conquistar o título europeu. É o preço de ser o melhor técnico do mundo. 
(Post originalmente publicado no blog Planeta que Rola)

Dirigente do Leicester diz que Vardy chegava bêbado em treinos

Um dos heróis do inédito título inglês do Leicester City, Jamie Vardy teve um início bem complicado no time inglês. Em entrevista à revista tailandesa "A Day", o vice-presidente do clube, Aiyawatt Srivaddhanaprabha, disse que o jogador costumava chegar bêbado aos treinamentos quando foi contratado em 2012.
- Ele foi direto das ligas amadoras para a segunda divisão, o que eventualmente levou-o a começar a beber todos os dias. Não sabíamos o que fazer. Eu não sabia de nada até que alguém me disse que ele chegou a treinar bêbado - lembra o dirigente.
Srivaddhanaprabha conta que Vardy ficou "deslumbrado" com a oportunidade de jogar num clube muito maior do que os que ele havia defendido, como o Stocksbridge Park Steels, o Halifax Town e o Fleetwood Town, todos clubes que frequentavam da quinta divisão para baixo na Inglaterra.
- Ele me disse que não sabia o que fazer da vida. Ele nunca tinha ganhado tanto dinheiro. Então eu o perguntei: "Qual é o seu sonho? Como você acha que a sua vida deveria ser?". Depois disso, ele simplesmente parou de beber e começou a trabalhar duro nos treinamentos - conta.
O vice-presidente revelou ainda que inicialmente era contra a contratação do artilheiro do time na Premier League com 22 gols. 
- Inicialmente eu era contra a contratação de Jamie Vardy. Perguntei para Nigel Person (então técnico do clube) e Steve Walsh (ex-jogador do clube) sobre ele, chequei alguns números e comecei a acreditar que ele poderia ser uma boa contratação. 
Srivaddhanaprabha disse que depois de comprar Vardy, que havia marcado 34 gols em 42 jogos pelo Fleetwood Town, o jogador o agradeceu pela oportunidade.
- No dia em que o contratamos, ele veio até mim e me agradeceu por ter mudado a sua vida. Ele nunca tinha recebido tanto dinheiro. Ele estava no mundo da lua - disse o dirigente, que o comprara por um milhão de libras.
O resto é história. Vardy foi decisivo na campanha do Leicester City, virou artilheiro do time, foi convocado para a seleção inglesa e agora vai disputar a Eurocopa pelo time de Roy Hodgson.
(Post originalmente publicado no blog Planeta que Rola)

terça-feira, 3 de maio de 2016

Leicester: da terceira divisão para o título inglês em oito anos

É difícil encontrar paralelos com a jornada do Leicester City até chegar ao título inglês. Protagonista de uma das histórias mais impressionantes do futebol mundial, o time estava na terceira divisão na temporada 2008-09. Naquela época, ainda não havia o investimento do bilionário tailandês Vichai Srivaddhanaprabha, que mudou a história do clube, mas com seus recursos próprios, a equipe conseguiu vencer a League One e se classificar para a segunda divisão no ano seguinte.
Desde então foram cinco temporadas na segunda divisão até a classificação na temporada 2013-14, quando o time foi campeão com impressionantes 102 pontos, nove a frente do Burnley.
A temporada seguinte mostrou um time que teria dificuldade em permanecer na elite, sempre um desavio para as equipes que viham da Championship. Afinal, o Campeonato Inglês talvez seja a mais disputada liga nacional do planeta. O Leicester chegou a frequentar a zona de rebaixamento, foi dado como provável rebaixado, mas reagiu na reta final e não acompanhou Burnley e Queens Park Rangers, os outros que haviam sido promovidos e voltaram para a segunda divisão.
Naquela época, o time já contava com alguns jogadores importantes para o título desta temporada. Caso do centroavante Jamie Vardy, do goleiro Schmeichel, do capitão Wes Morgan, o zagueiro jamaicano que vai erguer a taça, e do atacante Mahrez, eleito o melhor jogador da Premier League. Todos eles eram obscuros, personagens de ligas menores. Todos evoluíram sob o comando de Claudio Ranieri, que chegou após um fracasso na Grécia para comandar o improvável campeão inglês deste ano. Um campeão que quebrou as casas de aposta.
O Leicester pode não ter sido o campeão mais vistoso, nem o do futebol mais encantador. Longe disso. É um time formado a partir do poderoso sistema defensivo e muita velocidade nos contra-ataques puxados por Mahrez e Vardy. Mas a sua conquista emocionou os fãs do futebol e comprovou que nem sempre o dinheiro compra história. Isso é uma mensagem forte na liga mais rica do planeta.
O FUTURO DO LEICESTER
Agora é pensar no futuro. Ranieri sabe que repetir o feito, buscar um bicampeonato é algo improvável. O Leicester levou 132 anos para ser campeão. É o primeiro campeão inédito da Inglaterra desde o Nottingham Forest na temporada 1977-78. É o 24º time campeão na Inglaterra. Repetir isso é difícil. Para o treinar italiano, ficar no top-10 na próxima temporada e tentar fazer uma boa campanha na Liga dos Campeões, quando deve ser um dos cabeças de chave, é um sonho possível.
- Esse é um ano que não vai se repetir. Na próxima temporada, tentaremos lutar pelo top-10. Esperamos continuar a evoluir e jogar bem - disse Ranieri.
Para seguir nessa evolução, o Leicester receberá mais dinheiro. Após a conquista do título, o time pode ganhar até 150 milhões de libras (R$ 778,2 milhões) na próxima temporada. Há a premiação pelo título inglês e pela participação na Liga dos Campeões, algo inédito na história do clube. Com esse dinheiro, o clube poderá trazer reforços e evoluir, como deseja Ranieri.
Em âmbito europeu, praticamente tudo será novidade para os jogadores do Leicester. Ranieri é quem tem mais experiência em competições desse nível. O clube disputou apenas duas vezes a antiga Copa da Uefa, hoje Liga Europa. Fez apenas dois jogos na temporada 1997-98, quando perdeu para o Atlético de Madrid, e dois na temporada 2000-01, quando foi eliminado pelo Estrela Vermelha.
Tudo será novo para o mais novo campeão inglês. A falta de experiência pode pesar. Mas a torcida acredita. Afinal, ninguém dava nada pelo Leicester no início da temporada,
- Tenho 64 anos. Estou na luta há muito tempo, mas sempre fui uma pessoa positiva e tenho a positividade ao meu lado. Sempre imaginei que terminaria (a carreira) conquistando a liga em algum momento. Sou o mesmo homem que foi demitido da Grécia, mas talvez alguns tenham esquecido da minha carreira. Não é como se alguém tivesse esquecido, mas eu gostaria de dizer que sou o mesmo cara que estava sentado no banco da Grécia. Eu não mudei - disse Ranieri, reconhecendo que não esperava a conquista do título.
- Nunca esperei por isso quando cheguei. Sou um homem pragmático. Só quero vencer uma partida e depois da partida ajudar meus jogadores a evoluirem a cada semana. Os jogadores foram fantásticos. O foco, a determinação, o espírito. Eles tornaram tudo possível. Em todo jogo, eles lutaram por cada um deles e eu amo ver isso nos meus jogadores. Eles merecem ser campeões - disse.
A história do Leicester será contada por décadas. Foi uma das conquistas mais emocionantes do futebol inglês e trouxe orgulho para a cidade que agora pode dizer que também tem um time campeão nacional. 
(Post originalmente publicado no blog Planeta que Rola)

Torcida usa personagem de 'Game of Thrones' para intimidar rivais

A torcida erguendo a imagem do líder dos White Walkers | Reprodução
Quem acompanha o seriado "Game of Thrones" sabe o quanto são temidos os White Walkers, zumbis que aterrorizam os povos do norte na saga criada pelo escritor George R.R. Martin. 
Pois bem, tentando intimidar os rivais do Los Angeles Galaxy, a torcida do Kansas City fez um mosaico no jogo do fim de semana em que erguem uma imagem de 6m exibindo o líder dos White Walkers na série. Acima, a frase: "Bem vindo ao inferno azul".
Parece que deu certo, pois o Kansas City empatou com o time cinco vezes campeão da MLS por 1 a 1.
(Post originalmente publicado no blog Planeta que Rola)

sábado, 30 de abril de 2016

Ranieri perto do maior título da carreira

Claudio Ranieri nunca foi exatamente um técnico brilhante. Por mais que tivesse passado por grandes clubes na carreira (Atlético de Madrid, Chelsea, Juventus, Roma e Inter de Milão, por exemplo), jamais conquistou títulos de grande expressão pelos clubes que passou. Sua contratação pelo Leicester City era uma aposta arriscada. Principalmente porque o seu trabalho anterior tinha sido uma vexatória passagem pela seleção grega em que foi demitido com menos de seis meses de trabalho.
Assim que Ranieri foi anunciado em julho de 2015, o Leicester City foi criticado pela imprensa local. Principalmente porque o clube trocara o treinador que livrara o time do rebaixamento, o polêmico Nigel Pearson, por um técnico que meses antes comandara uma seleção que perdera para a modestíssima Ilhas Faroe.
Mas Ranieri e os jogadores deram liga. O grupo comprou a ideia do treinador de adotar um futebol baseado em um sistema defensivo forte, uma especialidade do italiano, e muita velocidade no contra-ataque. Raras vezes o Leicester propôs o jogo nesta temporada (uma delas foi na goleada da semana passada sobre o Swansea por 4 a 0), poucas vezes o time venceu por uma diferença superior a um gol (aconteceu em nove das 23 vitórias da equipe no ano).
O Leicester é o time do 1 a 0, do jogo defensivo, mas é possível ver beleza nisso tudo. Porque é um time que está construindo uma história épica na temporada. Porque é um time que cresceu junto com o seu treinador. Se Ranieri estava em baixa, nomes como Mahrez, Jamie Vardy, Kanté, Morgan e Drinkwater não eram propriamente famosos. O goleiro Kasper Schmeichel era mais conhecido por ser filho do velho Schmeichel, lendário goleiro do Manchester United.
O sucesso do Leicester se transformou no sucesso de todos. Drinkwater e Vardy foram convocados para a seleção inglesa. Pode-se dizer hoje que Vardy é titular absoluto do time de Roy Hodgson, pois entrou no time com muita personalidade e fazendo gols. Mahrez já fazia parte da seleção da Argélia, mas era pouco conhecido e disputou apenas um jogo na Copa do Mundo do Brasil em 2014. Já Kanté foi convocado pela primeira vez para a seleção francesa e pode até disputar a Eurocopa. Todos subiram de produção com Ranieri, enquanto o técnico italiano se encontrou com eles.
O treinador conta que não sabe se pensou ou quando imaginou que esse time tinha chance de lutar pelo título e poderia até conquistá-lo com algumas rodadas de antecedência, algo que acontecerá se o time vencer neste domingo o Manchester United, em Old Trafford. Para ele, a tônica sempre foi um jogo de cada vez, um desafio por vez.
- Meu foco sempre foi na próxima partida e depois na próxima partida. E checar muito bem a nossa atitude e a maneira como jogamos a cada partida. Para mim, toda a temporada foi uma questão de consistência. E estou muito feliz por essa consistência – explica o técnico, que não compreendia como o time brigou contra o rebaixamento na temporada passada.
- Eu não entendi o que aconteceu na temporada passada quando depois daquela vitória sobre o Manchester United (5 a 3, em setembro de 2014), houve uma sequência de derrotas (11 em 13 jogos). Por que? O que aconteceu? – disse.
No texto intitulado “Nós não sonhamos” que escreveu para o “Player’s Tribune”, Ranieri revelou que em seu primeiro contato com o elenco via muita qualidade nos jogadores. Alguns precisavam de disciplina tática, outros de liberdade. Ranieri deu isso a eles. E exigiu apenas uma coisa: que cada um jogasse pelos seus companheiros de time.
“Somos uma equipe pequena, então temos que lutar com todo nosso coração, com toda nossa alma. Eu não quero nem saber o nome do oponente. Tudo o que eu quero é que vocês lutem. Se eles forem melhores do que nós, ok. Parabéns. Mas eles têm que mostrar para a gente que são melhores”, escreveu.
FAZENDO A PIZZA
O time entendeu e as vitórias começaram a vir. Mas uma coisa ainda preocupava o treinador. A defesa, que frequentemente tomava gols. Nos 11 primeiros jogos, pelo menos uma vez o gol de Schmeichel foi vazado. Foi quando ele contou a já famosa passagem da pizzaria.
Antes do jogo contra o Crystal Palace no dia 24 de outubro, Ranieri prometeu uma pizza aos jogadores se eles conseguissem não levar um gol. O Leicester ganhou por 1 a 0 e o técnico cumpriu a promessa. Levou os atletas para a pizzaria, mas não os deixou simplesmente sentar e pedir a pizza.
“Eu disse: Vocês tem trabalhado por tudo. Vocês vão trabalhar pela sua pizza também. Nós mesmos as faremos. Entramos na cozinha com a massa, o queijo e o molho. Fizemos tudo. Estava muito bom, também. Comi vários pedaços. O que eu posso dizer? Sou italiano. Adoro minha pizza e minha pasta”.
Depois daquele episódio, o Leicester conseguiu mais 15 jogos sem levar gol. Ranieri tinha conseguido o seu objetivo.
- Esse tipo de união numa era globalizada tem sido muito difícil. Antigamente, os jogadores de um clube inglês eram todos britânicos. Então era mais fácil ter união. Antes da comunicação virtual, os membros dos times ficavam mais juntos. Naquela época, uma ou duas vezes por semana, o time saia para beber, o que talvez não seja recomendável do ponto de vista físico, mas era interessante para a união. Hoje, com a comunicação virtual e um elenco formado por jogadores de 15 países diferentes tem sido difícil conseguir essa união – diz o jornalista Tim Vickery, da “BBC”, que elogia o trabalho de Ranieri em conseguir formar este grupo unido.
- A construção de uma identidade coletiva nesse contexto é mais difícil. O Leicester está mostrando que, apesar desta tendência, ainda é possível construir uma unidade de um elenco multicultural.  
Para o jornalista James Nursey, que cobriu o Leicester em toda a temporada para o “Daily Mirror”, Ranieri tem muitos méritos no eventual título do clube.
- O Leicester tem demonstrado o valor de um time consistente e com um bom espírito de equipe. O técnico também tem muito crédito por sua humildade e personalidade. Ele não tem sido um ego-maníaco como um monte de treinadores de renome que tendem a gostar de dar o crédito somente para si.
Ranieri conta que sua filosofia é simples. Não quer ver os jogadores relaxados. Toda a partida é importante e todos devem lutar pela vitória a cada segundo. Não existe sonho, mas trabalho duro.
- Quando encerramos uma partida, olhamos o que fizemos bem e o que fizemos de errado e tentamos melhorar. Essa é a minha filosofia de futebol. Não culpe os jogadores porque todo mundo pode cometer erros. É preciso trabalhar para melhorar o que está errado.
Para Ranieri, o Leicester está dando esperança aos jovens jogadores que alguma vez na vida ouviram que eles não eram bons o bastante. Afinal, Vardy trabalhou numa fábrica e jogou na sétima divisão inglesa, Kanté já esteve na terceira divisão da França, enquanto Mahrez jogou na quarta. Agora todos estão perto do título da Premier League.
- Quando eu disse que 40 pontos eram importantes é porque eram importantes. Eu disse: 39 pontos até o Natal. Agora, vamos lutar por mais 40 pontos até o fim da temporada. Depois veio a vaga na Liga dos Campeões, ok, vamos seguir em frente. Agora estamos aqui e é o momento certo de dizer: Ok, vamos continuar e tentar vencer a liga. É nesta temporada ou nunca mais - encerrou.
Abaixo, torcedores do Leicester agradecem Ranieri e emocionam o treinador:
(Post originalmente publicado no blog Planeta que Rola)

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Casas de apostas podem perder até 10 milhões com título do Leicester

Se tem alguém que não está feliz com o eventual título do Leicester City são as casas de aposta do Reino Unido. A uma vitória de ser campeão inglês pela primeira vez, o time de Claudio Ranieri pode fazer casas como William Hill e Ladbrokes desembolsarem até 10 milhões de libras (R$ 51 milhões) para o pagamento de apostadores que cometeram a loucura (pelo menos no início do campeonato parecia loucura) de apostar no título do Leicester. 
Para se ter uma ideia do tamanho do feito do Leicester, as casas de aposta estavam pagando 5 mil libras (R$25,5 mil) para cada libra apostada no título do Leicester. Isso é mais do que pagariam para quem encontrasse Elvis Presley vivo (2 mil libras) ou o Monstro do Lago Ness (500 libras).
Agora, o Leicester está perto da conquista, causando prejuízo nas casas de aposta. Algumas já caíram 3% na Bolsa de Londres.
Só para ficarmos em dois exemplos, segundo a William Hill, o título do Leicester representará uma perda de 2 milhões de libras (R$ 10,2 milhões). No caso da Landbroks, o rompo será maior: 3 milhões de libras (R$ 15,3 milhões). Em 130 anos de apostas, a Ladbrokes nunca teve que pagar uma aposta de 5000 para um. 
Com o praticamente inevitável título do Leicester, as casas de aposta esperam compensar as perdas deste ano faturando no ano que vem. Elas acreditam que a vitória do time de Ranieri vai encorajar apostadores a serem mais ousados na próxima temporada da Premier League. E como um raio num cai duas vezes no mesmo lugar, elas podem faturar mais na próxima temporada.
(Post originalmente publicado no blog Planeta que Rola)

Time alemão não contratou Vardy porque o considerava velho

Se arrependimento matasse, o técnico Ralf Rangnick estaria em maus lençóis. Há dois anos, o técnico do RB Leipizg, da segunda divisão alemã, teve a oportunidade de contratar um até então desconhecido atacante de 27 anos. Seu nome? Jamie Vardy. 
Naquela época, Rangnick era diretor esportivo do Red Bull Salzburg, da Áustria, e do RB Leipzig. Vardy não era um jogador conhecido, mas havia marcado 16 gols na segunda divisão inglesa e ajudado o Leicester City a subir para a elite do país. Mas o então dirigente disse que não contrataria o atacante porque ele já tinha 27 anos.
- Queríamos desesperadamente contratar Joe Gomez, que depois escolheu o Liverpool. E voltamos de Londres para Leipzig com o seu agente. No avião, o agente me disse: "Senhor Rangnick, é uma terrível vergonha que o senhor seja tão radical sobre quem você contrata e só procure jogadores com menos de 24 anos, porque eu tenho alguém que seria perfeito para você. Eu garanto que sob o seu comando ele pode se tornar um jogador de seleção, mas ele já tem 27 anos e passou um tempo na prisão por causa de uma briga - disse o treinador, ao "Daily Mirror".
Em seguida, Rangnick contou que Vardy lhe fora oferecido. Rangnick então pediu desculpas e disse que não contrataria o centroavante.
-  Não, ele tem 27 anos. Não faremos isso - afirmou na ocasião.
Hoje, Vardy é o terceiro artilheiro do Campeonato Inglês com 22 gols e está perto de ver o seu time ser campeão inglês pela primeira vez na história. E, como previu o seu agente, ele chegou na seleção inglesa. Aos 29 anos, é titular do time de Roy Hodgson e vai disputar a Eurocopa pela Inglaterra. Mas quem o ajudou a chegar lá acabou sendo o técnico Claudio Ranieri.
Já o RB Leipzig segue na segunda divisão alemã. Mas tem boas chances de finalmente subir para a elite. O time está em segundo lugar com 63 pontos e pode, no máximo, ser ultrapassado pelo Nuremberg, terceiro com 59. Neste caso, o Leipzig teria que disputar um playoff contra o antepenúltimo colocado da Bundesliga para saber se jogará a elite no ano que vem. 
(Post originalmente publicado no blog Planeta que Rola)